Publicado em Formação

Levanta-te, tu que dormes.

“E ao descer a morada dos mortos, Jesus acaba com o seio de Abraão e  finalmente ressuscita os que ali estavam, seja para condenação ou para a Salvação eterna.”

Agape

“Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras” (1Cor 15,3).

 

Ontem relembramos a Morte de Nosso Senhor Jesus, hoje, participaremos da Missa mais importante do ano, e sem duvida uma das mais lindas, relembraremos na Missa das Luzes quando as mulheres vão ao sepulcro e o encontram vazio, era o indício que algo extraordinário havia acontecido.

 

Contudo, convido a todos a refletir sobre o que aconteceu antes deste fato, antes das mulheres encontrarem o túmulo vazio.  Jesus, tendo se feito homem,  morreu, não resta duvidas quanto a isso, tanto aos olhos dos que crêem quanto aos descrentes:

 

“Pela graça de Deus, Ele provou a morte em favor de todos os homens” (Hb 2,9).

 

Mas sendo Deus, onde estaria sua divindade para passar por uma morte to humilhante e aguardar 3 dias para ressuscitar?

Entendam que, sendo Deus, Ele poderia ressuscitar no exato momento que morre, ainda na Cruz, ou talvez logo que fecham seu túmulo. Mas Ele demorou 3 dias, para que? Para concretizar seu projeto de Salvação. Quando professamos nossa Fé por meio do Credo apostólico, passamos adiante o ensinamento dos Apóstolos naquilo que viram, viveram e ouviram. No próprio Credo reafirmamos a crença na morte de Jesus:

 

“Padeceu sob Pôncio Pilatoos.Foi crucificado, morto e sepultado. Desceu à mansão dos mortos”

 

Padecer é aguentar, cair, sob o domínio de Pilatos, em seguida, morreu na cruz e foi sepultado. Todos nós já sabemos disso.

 

Agora, um dos feitos mais impressionantes quando relembramos a Paixão de Cristo, sua descida a mansão dos mortos, a leitura é extensa, mas profundamente fácil de ser entendido:

 

“Jesus cristo desceu aos infernos, ressuscitou dos mortos no terceiro dia”

 

As frequentes afirmações do Novo Testamento segundo as quais Jesus “ressuscitou dentre os mortos” (1Cor 15,20) pressupõem, anteriormente à ressurreição, que este tenha ficado na Morada dos Mortos. Este é o sentido primeiro que a pregação apostólica deu à descida de Jesus aos Infernos: Jesus conheceu a morte como todos os seres humanos e com sua alma esteve com eles na Morada dos Mortos. Mas para lá foi como Salvador, proclamando a boa notícia aos espíritos que ali estavam aprisionados.

A Escritura denomina a Morada dos Mortos, para a qual Cristo morto desceu, de os Infernos, o sheol ou o Hades, Visto que os que lá se encontram estão privados da visão de Deus. Este é, com efeito, o estado de todos os mortos, maus ou justos, à espera do Redentor que não significa que a sorte deles seja idêntica, como mostra Jesus na parábola do pobre Lázaro recebido no “seio de Abraão”. “São precisamente essas almas santas, que esperavam seu Libertador no seio de Abraão, que Jesus libertou ao descer aos Infernos”. Jesus não desceu aos Infernos para ali libertar os condenados nem para destruir o Inferno da condenação, mas para libertar os justos que o haviam precedido. (Parágrafo Relacionado 1033)

“A Boa Nova foi igualmente anunciada aos mortos…” (1Pd 4,6). A descida aos Infernos é o cumprimento, até sua plenitude, do anúncio evangélico da salvação. É a fase última da missão messiânica de Jesus, fase condensada no tempo, mas imensamente vasta em sua significação real de extensão da obra redentora a todos os homens de todos os tempos e de todos os lugares, pois todos os que são salvos se tomaram participantes da Redenção. (Parágrafo Relacionado 605).

Cristo desceu, portanto, no seio da terra, a fim de que “os mortos ouçam a voz do Filho de Deus e os que a ouvirem vivam” (Jo 5,25). Jesus, “o Príncipe da vida”, “destruiu pela morte o dominador da morte, isto é, O Diabo, e libertou os que passaram toda a vida em estado de servidão, pelo temor da morte” (Hb 2,5). A partir de agora, Cristo ressuscitado “detém a chave da morte e do Hades” (Ap 1,18), e “ao nome de Jesus todo joelho se dobra no Céu, na Terra e nos Infernos” (Fl 2,10). Um grande silêncio reina hoje na terra, um grande silêncio e uma grande solidão. Um grande silêncio porque o Rei dorme. A terra tremeu e acalmou-se porque Deus adormeceu na carne e foi acordar os que dormiam desde séculos… Ele vai procurar Adão, nosso primeiro Pai, a ovelha perdida. Quer ir visitar todos os que se assentaram nas trevas e à sombra da morte. Vai libertar de suas dores aqueles dos quais é filho e para os quais é Deus: Adão acorrentado e Eva com ele cativa. “Eu sou teu Deus, e por causa de ti me tornei teu filho. Levanta-te, tu que dormes, pois não te criei para que fiques prisioneiro do Inferno: Levanta –te dentre os mortos, eu sou a Vida dos mortos.”  CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA –CIC § – 632- 635

 

Antes de sua morte, Jesus anuncia que irá acordar aqueles que dormem:

 

“Em verdade, em verdade vos digo: vem a hora, e já está aí, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus; e os que a ouvirem viverão. (Jo 5,25)”

 

Quando Jesus morre, os mortos que ainda estavam com seus corpos carnais nos túmulos, acordam naquele momento:

 

“Jesus de novo lançou um grande brado, e entregou a alma. E eis que o véu do templo se rasgou em duas partes de alto a baixo, a terra tremeu, fenderam-se as rochas. Os sepulcros se abriram e os corpos de muitos justos ressuscitaram. Saindo de suas sepulturas, entraram na Cidade Santa depois da ressurreição de Jesus e apareceram a muitas pessoas.” (MT 27, 50-53).

 

E ao descer a morada dos mortos, Jesus acaba com o seio de Abraão e  finalmente ressuscita os que ali estavam, seja para condenação ou para a Salvação eterna.

 

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s