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O Evangelho Segundo Barnabé

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O evangelho atribuído a Barnabé é uma falsificação medieval e contém anacronismos que podem datar apenas da Era Medieval e não antes. Além disso, apresenta uma compreensão deturpada das doutrinas islâmicas, chamando o profeta de messias, quando o islã não o chama assim. Traz uma noção ridícula da história sacra, e seu estilo é uma paródia medíocre dos evangelhos.”

Recentemente, nas mídias sociais e meios de comunicação, veio à tona um suposto livro atribuído ao discípulo e de Jesus, Barnabé, que ficou conhecido por suas viagens com o apóstolo Paulo, descritas no livro de Atos dos Apóstolos.

Dentre outros pontos, o livro afirma que Jesus nunca foi crucificado e que Cristo previu a vinda do profeta Maomé.

Pois bem, indo direto ao ponto, o livro se trata de mais uma de muitas obras de pessoas normais que nunca tiveram experiências direta ou indireta com Jesus ou seus apóstolos.

É o que especialistas no assunto já dão como certo, ainda não há publicação oficial da Igreja Católica de Roma, mas não deva ser diferente dos demais. Um interessante comentário foi feito pelo o teólogo Samuel Green, capelão inter-religioso, ministro da igreja anglicana da Tasmânia, na Austrália, especialista e palestrante sobre islamismo, para ele, o evangelho de Barnabé foi escrito por um judeu do primeiro século depois de Cristo que viajou com Jesus.

Green, avaliou cuidadosamente o evangelho atribuído a Barnabé e diz que ele “é uma falsificação medieval e contém anacronismos que podem datar apenas da Era Medieval e não antes. Além disso, apresenta uma compreensão deturpada das doutrinas islâmicas, chamando o profeta de messias, quando o islã não o chama assim. Traz uma noção ridícula da história sacra, e seu estilo é uma paródia medíocre dos evangelhos. O conteúdo, o método e o estilo são muito similares ao ‘Evangelho segundo o Islã’ escrito por Ahmad Shafaat, um muçulmano”.

“Se Barnabé realmente é o autor, então seria de esperar que ele estivesse familiarizado com os fatos básicos da vida judaica de seu tempo. Mas não é o que acontece”.

Green comenta que, bem no começo do evangelho de Barnabé, Jesus é chamado de Cristo. “Durante os últimos dias, Deus nos visitou através de seu profeta Jesus Cristo (pág.2)”. Entretanto, por toda parte do livro, Jesus nega ser o Messias. “Eu não sou o Messias” (cap. 42).

“Como Jesus pode ser o Cristo e negar ser o Messias quando ambas as palavras significam exatamente a mesma coisa? Quem quer que seja que escreveu esse livro não sabia que o significado da palavra grega “Cristo” é “Messias”. Barnabé foi um hebreu que viveu na ilha de Ciprus, de língua grega. Como poderia ter cometido esse equívoco”, indaga Green.

O teólogo vai listando outros equívocos do evangelho. “O capítulo três diz que Herodes e Pilatos governaram a Judeia na época do nascimento de Jesus, mas eles nunca governaram juntos. Herodes governou a Judeia sozinho de 37 a 4 a.C., enquanto Pilatos governou trinta anos após, de 26 a 36 d.C. O verdadeiro Barnabé viveu durante os tempos de Pilatos, então se ele realmente escreveu esse livro, como poderia ter cometido tal equívoco?”.

Green também sustenta que o evangelho de Barnabé comete erros básicos sobre o idioma, história e geografia do mundo judeu do primeiro século, falhas que lançam dúvida sobre a declaração de que Barnabé era mesmo do século I d.C.

O livro atribuído a Barnabé é dissonante porque ora apoia o ensino do Islã, ora não. “O Alcorão ensina que Jesus é o Messias e nunca ensinou que Mohamed é o Messias, mas o texto de Barnabé nega que Jesus seja o Messias e ainda diz que Mohamed o é. Ambas as idéias contradizem o Alcorão”, finaliza o teólogo.

Em outras palavras, seria este mais um livro evangelho apófrico, ou seja, sem credibilidade para ser comparado ou acrescido à Bíblia.

Então, fica o alerta, cuidado para o que estamos lendo e compartilhando na web, muita coisa é mentira ou sem base para confiança.

Parte do texto acima foi retirada de duas publicações do jornal OTEMPO – On – line, nos dias 10 e 11 de Junho de 2013, e serviram de base para esta publicação.

http://www.otempo.com.br/interessa/escrita-equivocada-1.661517
http://www.otempo.com.br/interessa/judas-e-n%C3%A3o-jesus-teria-sido-crucificado-1.661513

Por Lailton Cardoso – Coordenador e instrutor dos catequistas.

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